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06.01.2017

Automação Residencial: o que é?

Entender o conceito, conhecer o termo domótica, conferir as principais soluções apresentadas pela automação residencial e os benefícios oferecidos.

Entender o conceito, conhecer o termo domótica, conferir as principais soluções apresentadas pela automação residencial e os benefícios oferecidos, e compreender as etapas necessárias da implantação das tecnologias é o objetivo deste texto.

O Integrador
O conceito mais atualizado de automação residencial propõe a participação de um novo profissional na definição dos projetos residenciais – o integrador de sistemas residenciais. É ele quem vai projetar o funcionamento dos diversos sistemas de uma forma integrada, traduzindo seu trabalho em grandes benefícios para todos os envolvidos - construtor, arquiteto e, logicamente, o usuário final da casa.



Figura 1: Conceito de Automação Residencial

Quem pode explicar?

Há quem consiga definir automação residencial de forma bem simplificada. “É um sistema capaz de melhorar o estilo de vida, aumentando o conforto, a segurança e a eficiência de uma residência. Engloba iluminação, entretenimento, telecomunicações, temperatura do ambiente, e controle de utilidades e de equipamentos diversos com a possibilidade de ser centralizado em um único sistema de controle”, explicou Leandro Lecheta, da Future Home – Automação Residencial.
Outras definições já abordam o termo domótica, termo este utilizado na grande maioria dos países em substituição à automação residencial. “A domótica é uma palavra derivada do francês ‘Domotique’ que significa casa (‘Domus’) automática (‘Imotique’). O dicionário Larousse em 1988 definia o termo domótica como ‘o conceito de casa que integra todos os automatismos em matéria de segurança, gestão de energia, conforto, comunicações, etc”.
Para uma melhor explicação, vale também entender a questão de integração de sistemas. “A definição para automação residencial é a integração de sistemas, ou seja, não basta ‘automatizar’ algum item de uma residência como, por exemplo, colocar um motor em um portão (que é um sistema autônomo). A idéia é ter a integração deste último com outros itens, da mesma forma automatizados, de forma independente (sistemas autônomos). Com isso, consegue-se otimizar o uso criando o que se chama cenário, uma composição de informações geradas a partir de um único acionamento. Como exemplo, podemos imaginar que, ao sermos reconhecido pelo sistema de biometria em uma residência, cria-se o cenário ‘Bem-vindo’, que consiste em abrir a porta, ligar a luz do hall de entrada e acionar o sistema de som ambiente”, detalhou Leandro Lecheta, engenheiro e integrador de sistemas, filiado à Aureside - Assoc. Bras. de Automação Residencial e proprietário da empresa Future Home Automação Residencial.
Uma outra abordagem da integração de sistemas é, por exemplo, utilizar os comandos de iluminação para acionar o sistema de segurança. Com isso, ao pressionar por um período maior que 3 segundos um determinado comando, o mesmo aciona o sistema de segurança e acende toda iluminação da casa interna e externa.
Uma terceira abordagem é utilizar o sistemas de iluminação, persianas e ar-condicionado para manter uma determinada luminosidade e temperatura constantes dentro de um ambiente para o menor consumo de energia, comentou.
Segundo Leandro, as pessoas querem otimizar o tempo que passam em casa e, um lar dotado de recursos que trazem conforto e segurança, é um desejo de todos. “Ao optar por automatizar ambientes, você prepara sua residência para o futuro e eleva o preço do seu imóvel no mercado”. Também mencionou que pode ainda ser considerada uma ferramenta de inclusão social, já que devido ao avanço tecnológico é possível integrar sistemas e adaptar totalmente uma residência para portadores de deficiência.
A automação deve ser mostrada através de soluções factíveis, e não tecnologias exageradamente futurísticas. “A automação residencial tem o propósito de oferecer mais conforto às residências, mas sem criar nenhum problema ou preocupação no que diz respeito ao seu controle”, adicionou.
Segundo Leandro, em um sistema domótico cada dispositivo é programado conforme a necessidade, isto significa que, um comando de teclas que antes comandava, por exemplo, um abajur, pode comandar eventualmente outro ponto de iluminação, ou mesmo uma nova persiana, necessitando para isto, reprogramar este dispositivo na central. Isto torna possível a mudança da posição da mobília sem se preocupar com a instalação elétrica, com a instalação de novos cabos ou ter que quebrar paredes. Para a maior liberdade é necessário um planejamento baseado nas necessidades atuais e futuras do imóvel.
“As maiores soluções para o início deste século não são computadores super avançados nem tecnologias exclusivas e, portanto, caras. As soluções que mais serão notadas e estarão, em breve, em nossos escritórios e casas são implementações de tecnologias já conhecidas, porém encapsuladas de uma maneira mais amigável e com aplicações práticas”. “Uma das proposta de uma residência com tecnologia é fazer trabalhos rotineiros para um ganho de tempo no lazer e evitar perdas de tempo desnecessárias. Com apenas um toque no controle remoto em uma sala de home theater, o comando é acionado, o projetor é ligado, a tela elétrica começa a descer e os aparelhos que compõem o home são ligados. Na hora de sair, podemos apertar um botão apenas e ter todas as luzes e equipamentos desligados em segundos.”
Pode-se definir três níveis de interação: sistemas autônomos, integração de sistemas e a residência inteligente. Nos sistemas autônomos, pode-se ligar ou desligar um subsistema ou um dispositivo específico de acordo com um ajuste pré-definido. Porém, neste esquema, cada dispositivo ou subsistema é tratado independentemente, sem que dois dispositivos tenham relação um com o outro. A integração de sistemas é projetada para ter múltiplos subsistemas integrados a um único controlador. A limitação deste sistema está no fato de que cada subsistema deve ainda funcionar unicamente na forma definida pelo fabricante. Esta integração já permite uma ampla gama de benefícios aos usuários e garante a máxima eficiência no aproveitamento dos recursos utilizados.
Na residência inteligente, o produto manufaturado pode ser personalizado para atender às necessidades do proprietário. O integrador de sistemas em conjunto com o proprietário delinearão instruções específicas para modificar o uso do produto. Assim, o sistema torna-se um gerenciador em vez de apenas um controlador remoto. Os sistemas residenciais inteligentes dependem de comunicação de mão-dupla e feedback de status entre todos os subsistemas para um desempenho acurado.

Resumidamente, os principais sistemas de automação residencial são:
• Segurança: alarmes, monitoramento, circuito fechado de TV, controle de acesso
• Entretenimento: home theater, áudio e vídeo distribuídos, TV por assinatura;
• Controle de iluminação;
• Home-office: telefonia e redes;
• Ar condicionado e aquecimento;
• Portas e cortinas automáticas;
• Utilidades: bombas e limpeza de piscinas, controle de sauna, irrigação automática e aspiração central a vácuo;
• Infra-estrutura: cabeamento dedicado, cabeamento estruturado, painéis, quadros de distribuição;
• Controladores e centrais de automação;
• Softwares de controle e integração;

Um bom projeto de automação residencial resulta numa interface amigável para o usuário final, que dele poderá obter variados benefícios como:

• Economia de Energia: a energia é usada apenas onde e quando é necessária, eliminando os gastos desnecessários;
• Conveniência: som, luzes e temperatura podem ser monitorados em qualquer área da residência ou escritório a partir de um único local remoto;
• Segurança: o velho olho mágico na porta vem sendo rapidamente substituído pelos sistemas de circuito fechado de TV (CFTV), que se conectam ao programa de automação residencial. Câmeras podem ser dispostas para monitorar aposentos específicos na residência como o quarto das crianças;
• Economia de Tempo e Esforço: controle todas as luzes (dentro e fora) a partir de sua cama à noite. Programe o estéreo e o televisor para automaticamente baixarem o volume quando o telefone ou a campainha tocarem. Pré-programe as luzes para várias funções, tais como festas, horário diurno, trabalho da casa, horário de dormir, horário noturno, ou exibição de home theater;
• Conforto: ajuste as piscinas, banheiras, aquecedores de água centrais, filtros de ar, umidificadores, aquecedores e condicionadores de ar, cobertores elétricos, e aquecedores de banheiro, todos com uma interface inteligente;
• Acessibilidade: computadores multimídia ativados por chaveamento ou por voz são projetados especificamente para assistir pessoas com necessidades especiais. Para este segmento da população, estes sistemas não são apenas uma questão de conveniência, são ferramentas necessárias as quais devolvem ao indivíduo sua independência;
• Facilidade de Comunicação: integrar redes de voz e dados não é mais algo limitado às soluções inovadoras. As companhias de networking, juntamente com fabricantes de equipamentos de telefonia, estão desenvolvendo muitas soluções para facilitar as comunicações e adaptar-se à convergência de mídias. Telefonia e acesso simultâneo à internet já são realidade.

Aplicações:

Dentro de uma residência, a automação possibilita diversos benefícios, entre eles:
• Ligar ou desligar toda a casa com um toque de botão;
• Controlar a iluminação, criando cenários e dimerizando (intensidade de luz) para economia e conforto;
• Controlar a residência à distancia via celular;
• Chamar os empregados de qualquer lugar da residência com apenas um toque no controle remoto ou qualquer interruptor da casa;
• Desligar todas as tomadas baixas via controle remoto (para evitar que casais que tenham filhos pequenos possam sofrer este tipo de acidente);
• Acionar alarme visual ou sonoro de invasão com ações determinadas para cada zona, trancando portas, acionando sirenes, abrindo o portão do cachorro;
• Controlar a temperatura do ambiente, abrir ou fechar cortinas e/ou persianas e toldos (através de sensores para casos de vendavais, chuvas, luminosidade ou ainda por comando botão e programação horária);
• Programar as persianas diariamente para não permitir a incidência forte do sol;
• Abrir ou fechar portas (por proximidade, por identificação, com travamento imediato em caso de alarme ou qualquer situação de segurança).

A automação também permite a identificação pessoal (habilitando acesso com restrições de operações, armando ou desarmando o alarme, ligando ou desligando som, luz, ar-condicionado, banho, etc), o aquecimento do piso do banheiro ou cozinha, o acionamento do desembaçador do espelho assim que o chuveiro for acionado, controle da banheira, hidro e sauna (com seu pré-ligamento), acionamento da ventilação e/ou exaustão na presença de gases indesejáveis na cozinha (coifa) ou na garagem (exaustor), acionamento de eletrodomésticos (cafeteira, torradeira) em horários pré-determinados, controle do fogão (elétrico ou gás), programação da máquina de lavar louças, roupas ou de secar em horários de tarifação econômica, sinalizações noturnas com rotas habituais (entrada de casa, por exemplo), controle de temperatura e acesso da adega e/ou dispensa.
E mais alguns exemplos: acionamento do home theater (com fechamento das cortinas, acionamento do projetor, apresentação da tela, dimerização das luzes), corte de fornecimento de energia elétrica, alarme de vazamento de gás e transbordamento de água, acionando extintores, sinalizando sonora e visualmente e comunicando via fone o proprietário quando da detecção de fumaça, trancamento de portas e emissão de sinal de sonoro, entre outros dispositivos, quando da detecção de invasão, e simulação de presença (possibilidade de simular pessoas na casa ligando e desligando luzes e equipamentos).
Na parte externa da casa, é possível controlar a irrigação (por horários, dias da semana, duração, por zoneamento, somente quando necessário, com interrupção na presença de pessoas.), fazer a manutenção da piscina (filtragem programada, acionamento da hidro, cascata, iluminação, cobertura, controle do Ph), habilitar e/ou programar o uso da sala de ginástica e da quadra poliesportiva, controlar o acesso à garagem (com um toque no controle abre-se o portão para a entrada do veículo, a iluminação da garagem é acionada, a iluminação dos balizadores é ligada, a fechadura da porta de entrada da casa é destravada e o alarme é desabilitado).
Leandro defende que os arquitetos precisam mostrar aos clientes as soluções que fazem parte da automação residencial. Para isso, é necessário que estejam bem capacitados. “Não é o cliente que deve pedir uma ou outra solução, só porque viu na casa de um amigo, revista, etc. O arquiteto deve conduzir o cliente, pesquisando seus hábitos e preferências, sempre sendo muito realista”, explicou.